• Ana Luiza de Figueiredo Souza

Breve relato (simbólico) sobre o que o termo bruxa significa

Esse artigo surgiu de um pequeno (grande) acontecimento ocorrido na noite de 31 de outubro de 2021, que transformei em stories no Instagram e, devido às respostas recebidas, achei que valia o registro aqui no site também.


Nesse Dia das Bruxas, trago um breve relato sobre o que esse termo — bruxa — realmente significa.


Estava eu arrumando minhas tralhas ao som de Nightmare Before Christmas (ou O Estranho Mundo de Jack) quando encontrei isso aqui:


Era um colar da Mary Poppins, presente de um ex-namorado. A biju, que eu usava bastante, estava com o adesivo desfalcado, momento de ser jogada fora.


No mesmo porta-trecos, encontrei outra caixa, sem todos os enfeites e papeizinhos guardados, diferente da caixa que protegia aquilo que chegou como presente alheio.


Pois bem, nessa outra caixa encontrei o colar que comprei na mesma loja, com o tema de Cidade das Esmeraldas (do livro O Mágico de Oz).


Foi pelo presente do namorado que descobri que a loja existia. Xeretei o catálogo e achei aquele colar uma lindeza. Meses depois, fiz o pedido. Em boa hora, porque a loja encerrava suas atividades (em outras palavras, fechava as portas).


Esse colar eu usei menos e guardei mal. Resultado: corrente embolada. Vira e mexe eu tentava desembolar, em vão. Até que


Hoje consegui desembolar a corrente.


Bruxas era como se chamavam mulheres que conseguiam se resolver por si mesmas. Ao gerenciarem os próprios corpos e saberes, desafiavam o poder masculino e, consequentemente, se afastavam da dependência de homens.


De forma engraçada (e não menos simbólica), a biju que me dei de presente, guardada com pouco caso, mas ainda não esquecida, foi a que melhor resistiu à passagem do tempo e, agora, se mostra útil. Enquanto a biju guardada com carinho, presente de um sujeito que um dia já foi relevante na minha vida, esgotou seu ciclo. Vai para o lixo.


Ressignifico a mensagem daquilo que foi presente alheio para o que veio por iniciativa própria. Realmente acredito que aquilo que fazemos por nós mesmas, para nós mesmas, é o que permanece. O resto são carinhos avulsos. Guardamos até deixarem de fazer sentido.


Feliz Dia das Bruxas para quem, assim como eu, vira e mexe (re)descobre que voa melhor sem o peso de um acompanhante.


P.S.: Ao reescrever os posts para cá, me lembrei que, na verdade, quem contou ao namorado sobre a existência da loja fui eu. Tanto que comprei para uma amiga um colar de sapatinhos da Dorothy meses antes, como presente de aniversário. Comentei com ele sobre a loja e foi aí que ele fez a surpresa. Nesse caso, a realidade acabou criando uma narrativa mais redonda do que a ficção que sem querer inventei, rs.


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