• Ana Luiza de Figueiredo Souza

No fim da tempestade, sol brilha no teto: breve aceno à literatura infantil

Atualizado: 26 de dez. de 2021

Há quem prefira chamar de literatura ilustrada, visto que livros destinados a crianças não dialogam exclusivamente com o público infantil, nem são consumidos apenas por ele. Inclusive, um dos principais critérios adotados para avaliar a qualidade de uma publicação infantil é sua capacidade de conversar com os adultos que compram os livros para as crianças ou que passeiam pela livraria folheando exemplares, sem pretensão de saírem dali com algum presente.


Creio que a maior diferença entre o que se chama de literatura adulta e o que se denomina literatura infantil seja o fato de que, na segunda, adultos e crianças podem ler a obra com a mesma facilidade. Ela é acessível a ambos os perfis de leitores — o que não significa que vão interpretá-la do mesmo jeito.


Nesse Dia Internacional da Literatura Infantil, marcado pelo nascimento de um dos maiores contares de histórias de todos os tempos, Hans Christian Andersen, decidi reler Menina Chuvisco. É um conto que escrevi para a coletânea infantojuvenil Contos de Encantar o Céu, a convite da editora Lago de Histórias.


Numa casa coberta de nuvens, em que a mãe sempre chovia quando o pai soltava raio, é o chuvisco da menina que acalma tempestade. A mãe brilha feito relâmpago, clareando escuridão. O pai venta até empurrar os trovões para longe.


E a menina sorri estrela.⠀

Talvez a literatura infantil exista para nos mostrar, desde miúdos, que nuvens densas, carregadas, vão aparecer no horizonte. Mas nós podemos desmanchar neblina, mesmo com aquilo que parece singelo.⠀

Essa arte aqui embaixo, feita pela ilustradora Lúcia Brandão, mostra a Menina Chuvisco toda contente, depois de descobrir que consegue enfrentar vendaval. A ilustração acabou ficando de fora do projeto gráfico final da coletânea. ⠀



Olho para ela e para essa história chuvosa quando preciso lembrar:


No fim da tempestade, o sol brilha no teto.⠀


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