• Ana Luiza de Figueiredo Souza

Livro aborda relação entre maternidade, mídias sociais e narrativas de mulheres

Atualizado: 19 de fev.

Fruto de mais de cinco anos de pesquisa, o livro que traz abordagem histórico-cultural da maternidade desde o Brasil Colônia, discute as narrativas pessoais na cultura digital e examina os valores disputados por mulheres que debatem a maternidade nas mídias sociais estará disponível em breve. Confira algumas antecipações sobre a obra.



De onde surgiu a ideia para a pesquisa?


Na época em que estava elaborando o projeto de mestrado, lá em 2016, percebi uma demanda por discutir a maternidade de forma mais aprofundada que não se refletia nos trabalhos acadêmicos da área de Comunicação. Mas essa demanda se expressava, sobretudo, nas performances de mulheres nas mídias sociais. Textões-desabafo, relatos, comentários em postagens sobre temáticas maternas, vídeos, fotos, correntes. Eram centenas de milhares de mulheres expressando opiniões e posicionamentos sobre a maternidade (e a não maternidade) por meio de narrativas pessoais nessas plataformas.


Assim, comecei a estruturar a pesquisa em torno da relação entre (não) maternidade, esse tipo de narrativa e mídias sociais. Proposta que foi abraçada pela minha orientadora, a incrível Beatriz Polivanov, e, mais adiante, influenciou o trabalho de outros pesquisadores.



Do que se trata a pesquisa?


De forma resumida, ela investiga de que modos as narrativas pessoais feitas por mulheres brasileiras “comuns” — que não são celebridades ou figuras públicas — nas mídias sociais expõem as tensões e paradoxos em torno da maternidade. Ao analisar essas narrativas, a pesquisa explora a relação entre o indivíduo e a sociedade, apontando o imbricamento entre público e privado, construções históricas, escolhas particulares, ambiguidades da cultura do consumo e responsabilidades no plano social.



A repercussão da pesquisa


Desde quando apresentei o primeiro artigo relacionado à dissertação, pude confirmar que discutir temáticas maternas interessava muitas pessoas — principalmente mulheres. Em todos os congressos de que participei, recebi bilhetinhos com relatos ou recomendações, puxadas de braço no corredor para contar uma experiência relacionada ao assunto, perguntas sobre o andamento da pesquisa, “gostei daquilo que você falou, ainda não tinha pensado nisso”. Aos poucos, foi se formando uma rede de interessadas em descobrir mais sobre a tríade maternidade| mídias sociais |narrativas pessoais de mulheres. Até quando fui entregar a dissertação impressa na biblioteca da UFF, a secretária logo apontou a capa do trabalho: “Muito bom esse tema. Lá em casa nem eu nem minha irmã queremos ter filho, a família fica doida”.


Ao longo do mestrado e depois da defesa, expandi as publicações para periódicos no Brasil e em países como Argentina, Chile, México, Portugal e Espanha. Junto com as citações em trabalhos de Comunicação que também passaram a investigar temáticas maternas, vinham pedidos para que eu transformasse a dissertação em livro. Guardei o conselho.



O prêmio Compós


No começo de 2020, recebi o comunicado de que minha dissertação tinha sido escolhida para representar o PPGCOM UFF no Prêmio Compós de Teses e Dissertações Eduardo Peñuela. Conto mais desse processo e sobre a importância do prêmio aqui. Em junho do mesmo ano, saiu o resultado: vencedora na categoria Melhor Dissertação de Mestrado.


Foi uma das melhores notícias que já recebi. O prêmio acabou sendo uma forma de reconhecimento a uma pesquisa feita com muito afinco e afeto. Mais ainda: ter sido premiada por uma pesquisa inédita sobre maternidade, narrativas pessoais de mulheres e mídias sociais reforçou que aquelas temáticas eram importantes e tinham espaço não só na vida cotidiana, mas também na esfera acadêmica.


Em novembro do mesmo ano, a dissertação foi finalista nos Prêmios de Excelência UFF, no Colégio de Humanidades.



Por que publicar um livro com a pesquisa?


Esse é um incentivo que recebo desde antes de terminar a dissertação. Temáticas maternas aparecem com cada vez mais força em diferentes mídias, inclusive em trabalhos acadêmicos de áreas diversas. Vira e mexe, sou convidada para falar sobre alguns aspectos da pesquisa em eventos, publicações ou cursos. Por continuar a desenvolvê-la em paralelo à pesquisa de doutorado e outros projetos, quis registrar, em um único material, as reflexões posteriores à dissertação, atualizando seu conteúdo.


Transformar pesquisas de mestrado ou doutorado em livros é um processo que costuma levantar dúvidas entre muitos pesquisadores, além de ser longo e trabalhoso. Para ajudar outros interessados na publicação de suas dissertações ou teses e, também, tornar esse trabalho mais divertido, decidi compartilhar as etapas envolvidas na adaptação da pesquisa de mestrado para um original de livro.



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Acompanhe o passo a passo dessa transformação na série Da dissertação ao livro, que integra o portal de conteúdo Nota de rodapé.


Assine a lista de espera para ser avisada/o/e quando o livro Ser mãe é f*d@!”: mulheres, (não) maternidade e mídias sociais estiver disponível.

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