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  • Foto do escritorAna Luiza de Figueiredo Souza

Precisamos falar sobre eleições, ou Rebatendo comentários comuns durante elas

Atualizado: 27 de nov. de 2022

Calma, eu também defendo que política não se faz só nas urnas. Minha própria pesquisa (transformada em livro) investiga como diferentes mulheres têm utilizado as plataformas digitais para debater questões relacionadas à maternidade. Debates que, inclusive, apontam caminhos, demandas e problemas relacionados à esfera política.


Só que não adianta fazer esses apontamentos sem que isso chegue às urnas. É por meio do voto que elegemos representantes políticos que podem transformar essas demandas em políticas públicas, em leis, em programas de governo. E também são esses representantes que vão se opor a projetos que ameacem aquilo que foram eleitos para defender.


“Mas política é muito chato”.


Sabe o que é mais chato? Permitir que políticos mal-intencionados, violentos, preconceituosos e incompetentes decidam os rumos do país pelos próximos anos.



“Votar nulo é um ato de repúdio”.


Nosso sistema eleitoral leva em consideração apenas os votos válidos para eleger representantes políticos. Mesmo se 90% da população votasse nulo, o resultado seria decidido pelos 10% de eleitores que votaram em algum candidato. Portanto, anular voto (como o próprio nome diz) não causa impacto nenhum. É somente delegar a responsabilidade de escolher os representantes políticos do país a outras pessoas.



"Sou neutro".


Neutralidade não existe. A forma como você aborda um tema, o que escolhe falar sobre ele, o que prefere não comentar. Tudo isso já indica seu posicionamento. Você pode considerar vários lados, tecer uma análise profunda sobre cada um deles, mas você faz isso a partir de um determinado enfoque, com uma determinada intenção. Sempre há um posicionamento. O próprio fato de querer se colocar como neutro já revela um posicionamento. Por que você tem medo de se colocar? Por que você se recusa a explicar a posição que você assumiu? Talvez porque, no fundo, você saiba que aquilo que você silenciosamente defende não seja tão legal assim.



"Nenhum candidato me representa totalmente".


Ninguém vai contemplar 100% das nossas expectativas, valores e crenças. Pense nas pessoas mais próximas a você. Por acaso vocês concordam em absolutamente tudo? Elas sempre correspondem àquilo que você espera que elas façam? E isso as torna menos significativas na sua vida?


Políticos não representam apenas uma pessoa ou um único grupo. Por isso é importante que eles tenham propostas para contemplar mais gente, inclusive pessoas que estão fora dos grupos sociais aos quais você pertence. Isso não significa que vão deixar de olhar para os seus interesses, eles apenas não serão os únicos que vão buscar contemplar durante o mandato.



“Não tem um político que preste".


Isso transforma uma massa de atuações e ideias diferentes em um bloco homogêneo e sem valor. Faz tanto sentido quanto dizer que nenhum médico presta, nenhum professor presta, nenhum empreendedor presta. Há condutas boas e ruins, em todas as áreas. Inclusive na política.


Tem muitas iniciativas importantes e bem estruturadas sendo conduzidas por vários dos nossos representantes eleitos. Tem muita gente que atua na política porque quer realmente transformar o Brasil em um país melhor. E várias dessas pessoas conseguem trazer melhorias onde atuam.


Dizer que “nenhum político presta” é um caminho confortável e fácil. Você se fecha a descobrir bons projetos, boas gestões. E se você fizer essa pesquisa sem encontrar nada que ache bom, aí é que você precisa votar mesmo. Para ter a chance de eleger pessoas com propostas que você acha melhores do que as que estão sendo implementadas.



Política não começa nem termina nas eleições.


Mas elas são essenciais para permitir que a nossa democracia continue funcionando, e até para que seja aperfeiçoada. Porque ao contrário do que uns e outros dizem, não é o capitalismo que nos dá direitos, poder de escolha, liberdade.


O que faz isso é o nosso sistema democrático, que atua como uma ponte entre as demandas da sociedade civil e o poder público. Militâncias e ativismos complementam esse processo.


É possível (e necessário) fazer política para além do voto. Mas não conseguimos impactar a política sem votar.


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Gostou desse artigo? Acompanhe o Nota de rodapé para mais discussões.


Confira aqui o post sobre as causas e efeitos da misoginia em formato compacto.

Essa e outras temáticas são melhor exploradas no livro Ser mãe é f*d@!”: mulheres, (não) maternidade e mídias sociais.



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