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  • Foto do escritorAna Luiza de Figueiredo Souza

Esteja preparada para a possibilidade de criar seus filhos sozinha

Essa ideia, cada vez mais disseminada nas plataformas digitais, tem respaldo na realidade. Com algumas exceções, o papel de mãe costuma vir com uma boa dose de sobrecarga, não apenas em relação à maternagem dos filhos, mas também às tarefas domésticas, à carga mental, ao gerenciamento da rotina da casa e até aos cuidados com o pai ou a outra mãe desses filhos.


Nesse contexto, não é raro mulheres se sentirem sozinhas na maternidade, mesmo quando são casadas ou o progenitor de seus filhos se faz presente de alguma forma. Precisamos considerar, ainda, casos como maternidade atípica, doença, acidente, violência doméstica ou fatalidade, já que podem resultar na vivência de mãe solo: seja por abandono ou agressões por parte do pai/da outra mãe dos filhos, seja pelo falecimento ou pela incapacitação dele/dela após um evento trágico.


A ideia de que é necessário que a mulher que deseja filhos esteja preparada para criá-los sozinha tem se espalhado sobretudo via plataformas digitais. Por um lado, temos mães que relatam suas vivências maternas e como, por diferentes motivos, precisaram arcar com as responsabilidades parentais sozinhas ou praticamente sozinhas. Por outro, vemos mulheres sem filhos que levam esses relatos maternos em conta ao pensarem seu planejamento familiar. Algumas buscam criar redes de apoio desde antes da chegada dos filhos, enquanto outras avaliam que ser mãe sem amparo na distribuição das obrigações parentais seria inviável para elas.


Fato é que mulheres, em geral, têm estado mais atentas ao impacto que a maternidade pode ter em suas vidas, sobretudo em um cenário ainda precário para quem é do gênero feminino. Embora a idealização da e a promoção à maternidade mantenham força nos discursos e práticas do nosso cotidiano, passam a conviver com um maior discernimento sobre as condições (por vezes cruéis e injustas) em que a maternidade pode se dar para diferentes mulheres. O que permite um olhar mais realista para ela.


Além, claro, de incluir vivências maternas (produção ou adoção independentes, por exemplo) que não envolvam dividir a parentalidade com (mais de um) alguém.


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Gostou desse artigo? Acompanhe o Nota de rodapé para mais discussões.


Confira aqui o post sobre a necessidade de estar preparada para criar os filhos sozinha em formato compacto.


Essa e outras temáticas são melhor exploradas na tese de doutorado e no livro “Ser mãe é f*d@!”: mulheres, (não) maternidade e mídias sociais.

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