• Ana Luiza de Figueiredo Souza

Misoginia, um problema-chave

Atualizado: 3 de ago.

Violência obstétrica, dificuldade de acessar métodos contraceptivos, agressões às mulheres sem filhos (e à não maternidade), falta de estrutura para mães maternarem com dignidade (causando, inclusive, o esgotamento físico e mental delas), violência doméstica. Essas são consequências do mesmo problema: a misoginia, ou seja, o ódio às mulheres e a tudo que remete ao feminino.


Essa cultura misógina é endêmica e estruturante na nossa sociedade. Misoginia que se soma a outros complicadores e que constitui uma das opressões — senão a opressão — mais antiga(s) de que se tem registro.


Ela perpassa o nosso cotidiano, a nossa educação, as nossas formas de produzir conhecimento, os nossos espaços públicos, a nossa intimidade, as nossas instituições, os nossos costumes, a nossa economia, as nossas leis, o nosso sistema de saúde, os nossos profissionais nas mais diferentes áreas.


Os episódios de violência contra mulheres, meninas e demais pessoas do gênero feminino que viram manchete não são casos isolados. Nem se restringem a consultórios, clínicas e hospitais — que ganharam maior repercussão devido aos recentes acontecimentos.


A misoginia se faz presente o tempo todo, das situações mais solenes às mais descontraídas. Vai da piadinha entre amigos aos discursos do presidente. E ela conta com o silêncio.


Por um lado, silêncio de mulheres e outras pessoas do gênero feminino que acham que podem ganhar alguma coisa com ela. Dica: não vão. Silêncio, também, daquelas que têm medo ou são impedidas de se posicionar contra atitudes misóginas. De fato, muitas têm a segurança ameaçada por isso.


Por outro lado, a misoginia conta com o silêncio dos homens e de pessoas do gênero masculino. Homens estes que, no fundo, se sentem confortáveis com a possibilidade de manter seus privilégios em relação às mulheres, que eles podem explorar e abusar quando for conveniente.


Se você é alguém que se sente mal lendo esse texto, se dá aquele embrulho no estômago, se não quer ser comparado ou comparada ao tipo de gente que acha normal odiar e maltratar tudo que diz respeito ao feminino, eu pergunto: o que você anda fazendo para mudar isso?


----- Gostou desse artigo? Acompanhe o Nota de rodapé para mais discussões. Confira aqui o post sobre as causas e efeitos da misoginia em formato compacto. Essa e outras temáticas são melhor exploradas no livro Ser mãe é f*d@!”: mulheres, (não) maternidade e mídias sociais.



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